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Revendo
um fato histórico que se passou na cidade de
Ipirá (BA), município localizado na Bacia do
Jacuípe, a 210 km de Salvador, Ipirá Negócios
volta a republicar o fato que há alguns anos
atrás foi publicado neste mesmo site, e sendo
motivo de muitos acessos na data da sua publicação
(Matéria publicada pela primeira
vez neste site em 20/04/2020).
A reportagem relata um fato em que uma moça
solteira é vítima de uma lei repressiva. O fato
histórico que foi documentado pela imprensa
da época, busca fazer com que a população conheça
um pouco mais da nossa história, tomando como
referência um fato ocorrido em um passado não
tão distante, que mostra a aplicação da lei
na época.
A divulgação do caso, perverso, desumano, inusitado
e curioso, que parece ter se passado ainda no
início do século passado, na verdade se passou
na cidade na década de 70, em período da Ditadura
Militar Brasileira (1964 a 1985), por volta
do ano de 1976, em torno de 50 anos atrás.
O CASO HISTÓRICO
Segundo relatos da época, o Delegado de Polícia
de Ipirá, Sargento da PM José Roque Chaves,
tinha baixado decreto proibindo o uso de minissaia.
Raulinda Barbosa de Almeida infringiu o decreto
e como castigo recebeu quase trinta 'bolos'
(apanhar nas mãos)
O fato ganhou destaque nos jornais do Estado,
diante da tamanha agressividade, da selvageria
e crueldade adotada pelo delegado em um caso
banal, relativo a costumes, que de outra forma,
perante o grau da contravenção, poderia ficar
apenas no campo da advertência.
Veja abaixo a notícia, que leva o título "Vestiu
Minissaia Delegado dá Bolo"
VESTIU MINISSAIA DELEGADO
DÁ BOLO
Raulinda Barbosa de Almeida, 25 anos, solteira,
residente do município de Ipirá (BA), recebeu
“duas dúzias de bolo”, conforme sua expressão,
no interior do xadrez da cadeia pública daquela
cidade, aplicadas pelo Delegado de Polícia Sargento
José roque Chaves da Policia Militar, simplesmente
porque foi flagrada num caminho para uma fonte,
carregando uma lata d’água, usando uma mine
saia, moda terminantemente proibida pela referida
autoridade policial.
Raulinda, de acordo com a reportagem da época,
por volta das 10 horas, caminhava para uma fonte
carregando uma lata d água na cabeça, usando
uma minissaia, quando foi surpreendida pelo
Delegado de Polícia o Sargento da PM José Roque
Chaves.
Depois de abordada, Raulinda foi levada para
a cadeia pública e as 11h a autoridade policial
retirou-a do xadrez e aplicou-lhe “duas dúzias
de bolo” e logo depois que ela molhou as mãos
para aliviar a dor, tomou mais dois bolos.
De acordo com relatos, a punição ocorreu para
que Raulinda aprendesse a não desrespeitar as
ordens as quais proibiam o uso da minissaia
das mulheres de vida fácil no município.
Além de tomar os bolos, Raulinda fica no Xadrez
por mais de 5 horas
Depois de receber o castigo, Raulinda Barbosa
de Almeida foi trancafiada no xadrez, sendo
liberada as 15h, por interferência de amigos.
Raulinda, com as mãos inchadas, começou a sua
peregrinação no sentido de que alguém tomasse
alguma providência.
Depois de sair do Xadrex,
Raulinda procura o médico Delorme Martins
Raulinda de Almeida disse ao repórter que depois
de sair da cadeia foi ao farmacêutico para que
suas mãos fossem tratadas, mais o profissional
declarou que só o médico Delorme Martins (in
memoriam), poderia administrar alguns medicamentos.
O médico por sua vez, após socorrer a mulher
levou-a a presença do Juiz e do Promotor de
Ipirá; tendo sido Raulinda ouvida no Fórum em
termos de declaração e logo em seguida recebido
guia para fazer exame de corpo de delito a fim
de que fosse instaurado inquérito para apurar
a agressão sofrida pela vítima.
Raulinda era uma mulher
forte, de pernas grossas, bem aos moldes dos
padrões atuais das mulheres bombadas das academias.
Ela gostava de vestir curto e isso para os padrões
da época era um afronto a sociedade que se sentia
ofendida quando ela passava nas ruas. Para as
senhoras da época era uma indecência e para
os homens, motivo de admiração.
Raulinda, quase precisou
amputar as mãos
O drama vivido por Raulinda comoveu a cidade
diante do estado que ela ficou, quase ao ponto
de ter as mãos amputadas diante da gravidade
dos ferimentos. Muitas pessoas se cotizaram
para ajudá-la a se manter até a sua total recuperação.
Após a apuração dos fatos, o delegado foi transferido
de Ipirá e Raulinda continuou sua vida, vindo
a falecer há poucos anos atrás na cidade de
Pintadas onde foi residir com uma irmã.
O Delegado José Roque Chaves, foi transferido
para o Batalhão da PM em Itaberaba e algum tempo
depois, foi transferido para a cidade de Feira
de Santana, onde mais tarde veio a falecer.
VERACIDADE DA NOTÍCIA:
Ipirá Negócios, recebeu o texto da época. O
fato foi recontado tendo como base o relato
como está no original. Frisando que Ipirá Negócios,
recebeu a reportagem através do WhatsApp, com
foto que não permitiu determinar com exatidão
a data do fato, nem o nome do jornal, nem o
seu autor. Tomamos conhecimento que outros veículos
de comunicação do município, em outra oportunidade
também relatou o fato.
"Zequinha Guarda",
assume como Delegado
Ainda segundo a fonte, após a transferência
do delegado José Roque Chaves, o posto de delegado
ficou vago, sendo depois assumido, por "Zequinha
Guarda" (in memoriam). Cidadão
que ficou muito conhecido na sociedade ipiraense,
dele nada se sabendo que maculasse a sua vida
de delegado, ou na pessoa de simples cidadão.
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